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Guia de Sobrevivência do Escritor #12

Enfim, chegamos ao final da nossa série sobre planejamento! Se você aguentou até aqui, talvez esteja mais bem preparado pra começar a escrever ou dar continuidade à sua narrativa. Se não, bom, leia os posts anteriores pra saber como chegamos até aqui.

O post de hoje é especial sobre criação e desenvolvimento de personagens. Eu gosto particularmente de me dedicar a esse tipo de planejamento porque os personagens são, pra mim, a melhor parte de escrever: são eles que movem, dão razão e motivação pra história. Bons personagens às vezes podem mascarar enredos meia boca, e conquistam mais o leitor do que um plot complexo. E o mais legal é que esse planejamento pode ser feito em absolutamente qualquer momento da vida: antes, durante, e até depois de escrever um livro, como base pra uma futura revisão.

Aviso: para o post de hoje, recomendo papel, lápis de cor e uma mesa bem grande.

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Eu separo a organização de personagens em dois momentos diferentes. Vamos chamá-los aqui de fichasgráficos.

Fichas nada mais são do que uma catalogação do personagem. É organizado respondendo uma série de perguntas simples com informações pessoais sobre aquele personagem em questão. Muitas dessas informações talvez nunca sejam transpostas para o livro, mas só o fato de nós, como autores, sabermos, já muda nosso olhar sobre eles. Então a seguir vem uma lista de perguntas que eu geralmente respondo pelo menos a respeito do meu núcleo principal e secundário:

1) Nome completo

2) Idade e data de nascimento (e signo, se você for desses)

3) Como é a família? Descreva.

4) Estuda? Trabalha? Descreva.

5) Passatempos preferidos

6) Coisas preferidas (banda, cor, série, etc)

7) Alergias

8) Descrição física

9) Descrição da personalidade

10)  Alguma particularidade na fala? (gírias, expressões, sotaque, etc)

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Algumas perguntas extras podem ser incluídas, mas esse é em geral o esqueleto que eu uso pra cada personagem. É uma maneira de eu ter um certo conhecimento superior sobre a vida de cada um, que me ajuda na hora de tomar decisões práticas sobre a narrativa. Quem nunca se pegou imaginando o que tal personagem diria, ou como [email protected] agiria em determinada situação? Tendo essas fichas, nos sentimos mais próximos [email protected] e somos capazes de prever suas respostas e comportamento.

Feitas as fichas, vem a verdadeira diversão, que são os gráficos. Pra mim, os gráficos são um esqueleto mais visual das relações entre todos os personagens da trama, sempre partindo do(s) protagonista(s). Pra não ficar uma bagunça completa, eu separo os gráficos em núcleos, tendo assim um gráfico familiar, um de amizades, etc. Por exemplo: abaixo estão os gráficos de relacionamentos de As Bruxas de Oxford. (desculpem pelos spoilers)

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Tendo esses recursos visuais, fica muito mais simples entender nossos personagens enquanto pessoas e esquematizar a história em volta deles. É um guia de consulta pra qualquer ocasião, que nunca perde a validade e pode sempre ser atualizado.

Bom, espero que vocês tenham gostado dessas sessões de curso intensivo de planejamento das últimas semanas. Se você tem alguma pergunta, por favor, só deixar nos comentários! Nos vemos na semana que vem 🙂

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Guilherme Cepeda
Guilherme Cepeda é podcaster, blogueiro e escritor. Pós-Graduado em Marketing e apaixonado por tecnologia e literatura desde sempre, em 2010 resolveu criar um blog para compartilhar sua opinião com os amigos. Jamais imaginaria que o projeto chegaria tão longe, tornando-se hoje o Burn Book, um dos maiores portais de literatura jovem do Brasil. Escreveu em co-autoria os livros da série Minha Vida, e em seu trabalho mais recente, já pela Editora Burn Books, publicou o conto “Estarei em Casa para o Natal” na antologia que leva o mesmo nome, também foi publicado em outras antologias pelas Editoras Wish, Villa-Lobos e Rouxinol. Guilherme é co-criador do Podcast “BurnCast”, o qual é responsável pela edição, pós-produção e roteiro há mais de um ano.

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