Making notes

Guia de Sobrevivência do Escritor #3

Olá de novo! Essa é a nossa sessão semanal de terapia para escritores, e sem mais delongas (porque a gente já enrola demais nessa vida), vamos logo pro tema de hoje!

Sem título

A pergunta da Gabi é outra daquelas que aterrorizam e tiram o sono de muita gente. Às vezes, o peso de uma história não acabada acaba sobrepondo dez que a gente termine. Não terminar um trabalho dá uma sensação de mal estar, falta de capacidade e, por que não, falta de talento. A gente duvida tanto da própria habilidade nessas horas que pensa em desistir.

Bom, estou aqui pra dizer que: não desista.

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Os conselhos que vou dar neste post são um pouco dúbios, e no final do dia, quem vai decidir o que fazer será você mesmo, mas vamos lá. Primeiro de tudo, acho que é importante não se desesperar. Sabe, às vezes um número é só um número, e uma história é só uma história. Você pode ter achado a ideia o máximo quando começou, e desanimou dela no caminho, e tudo bem. Aposto que a Meg Cabot tem uma pasta no computador dela com uns 768575 arquivos de livros e contos e rascunhos pela metade, porque todos nós somos assim. Nem sempre aquilo que começa bem vinga, e nem sempre aquilo que começa mal será largado pela metade.

Eu enxergo como um processo de seleção natural. Imagine o seguinte: todos os dias eu tenho uma ideia nova. Eu anoto essa ideia, deixo cuidadosamente estocada, e aí uma hora ela vai crescendo, e eu começo a escrever. De repente, essa ideia se esvai, a inspiração vai embora, ou eu simplesmente perco o ânimo praquela história em especial, e aí a engaveto. E aí o oposto acontece, e eu reacendo a chama de uma história perdida há meses, anos quiçá. Eventualmente, o que não era bom o bastante vai sendo deixado pra trás, e o que tem potencial de verdade é retomado. As histórias mais fortes sobrevivem. E sim, ainda há esperança.

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Contudo, isso não é uma desculpa pra abandonar todo e qualquer projeto. Acho que o desânimo e a falta de inspiração podem ser sintomáticos e, sim, podem ser revertidos. Nos meus Diários de Escrita (clique aqui pra saber do que eu estou falando), falei várias vezes sobre bloqueios criativos que duravam meses, de histórias que me senti tentada a abandonar, e por razões profissionais, tive que me forçar a fazer uma análise de consciência pra descobrir o que estava errado. Então, quando você estiver desanimado com relação a um projeto, faça-se as seguintes perguntas:

1) Você pensou a fundo na história, ou só colocou no papel a primeira coisa que te veio à cabeça?

2) Seus personagens estão conseguindo levar a história, ou são levados por ela?

3) Quando você relê o que escreveu, sente um fluxo natural ou parece que você quer acabar logo com isso?

4) Quando você fecha o arquivo, vai direto pra outra ideia ou fica algum tempo ruminando o que escreveu?

5) Você consegue fazer uma lista de três acertos e três erros do seu original até agora?

Se a resposta pra qualquer uma dessas perguntas for não, então você tem um problema.

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Pra ser completamente sincera, não existe solução perfeita pra esse tipo de caso, e como eu disse no começo, no fim do dia, você é quem vai precisar decidir o que fazer. Você pode se forçar a continuar escrevendo, pode recomeçar ou pode simplesmente abandonar, fazer a Elsa e cantar let it go.

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Mas qualquer que seja a sua decisão, não se culpe. Não chore pelas histórias não-terminadas e parta pra outra. Não tem ninguém te impedindo de um dia, daqui a alguns anos, pegar aquela ideia e reinventar sua história. Nada está no caminho entre você e o final do seu livro – só você mesmo. Respira, relaxa e escreva. Terminar é consequência. Faça seu melhor, faça o possível, mas não se deixe abater.

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Mande suas perguntas pras próximas edições aqui nos comentários! Até a semana que vem 🙂

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