Guia de Sobrevivência do Escritor #6 16

Guia de Sobrevivência do Escritor #6


Bom, como ninguém mandou perguntas na semana passada (chora num cantinho) fui obrigada a improvisar. Então vamos falar de coisa boa – não, não de Tekpix. Vamos começar os nossos livros.

Ops. Mas não é tão fácil assim, né?



Embora pra mim isso nunca tenha sido exatamente um problema, pra muitas pessoas é difícil saber como começar um livro. O que em teoria deveria ser mamão com açúcar – afinal, você já tem a história, já tem os personagens, já pensou no conflito, às vezes até já tem algumas cenas escritas – na prática, se torna um pesadelo sem fim.

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Existem várias dificuldades na hora de se começar um livro: como apresentar os personagens? Como apresentar a história? Como conduzir o início sem que ele fique chato e faça o leitor desistir antes mesmo de alcançar o segundo capítulo? Não é todo mundo que se permite ler o resto do livro se o início não for interessante, e essa perspectiva assusta mesmo nós, pobres autores. E foi pensando nisso que resolvi fazer esse post, e ver se eu consigo ajudar.

1) Fuja dos clichês. Nada de começar com “era uma vez”, ou com descrição de clima. Esse negócio de “fazia uma bela manhã ensolarada naquele dia de outono, as folhas caíam e o céu estava límpido” não conquista ninguém. O jeito mais irritante e chato de se começar qualquer história é com esses clichês pré-estabelecidos, então, se estiver pensando neles, corra para as colinas!

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2) Apresente os personagens e seus conflitos principais. Afinal, que leitor vai gostar de partir pro segundo capítulo sem saber quem é o personagem principal, onde ele mora e o que faz da vida? Lembre-se de que a sequência inicial de qualquer livro é, basicamente, uma introdução ao universo onde aquela narrativa será narrada. Por exemplo (e não me matem por usar esse exemplo), no comecinho de Crepúsculo, a srta Bella Swan vai nos contando quem ela é, como foi parar em Forks e onde diabos é Forks – tudo isso sem perder o ritmo.

3) Pense em cenas simples e com funções práticas. Isso serve pra que você conduza o início do seu livro de forma introdutória e fazendo todas as devidas apresentações, mas sem ficar com aquela cara didática de “oi, eu sou o Fulano, tenho 10 anos e essa é a minha história”. Pense em cenas que façam essas apresentações por si só, de maneira sutil e leve. Por exemplo: seu personagem é o irmão do meio, mora com os pais e a avó e largou a faculdade. Por que não começar com uma cena em que a mãe tenta tirá-lo da cama, comparando-o ao irmão mais velho e brigando com ele por não fazer nada da vida? Ele levanta, segue para a cozinha, onde seu pai o olha com decepção e sai para levar o caçula na escola. Sua avó é o único que sorri pra ele. Tem um jornal aberto na seção de empregos em cima da mesa – e ele é o único desempregado da casa. Quantas informações você tiraria sobre esse personagem nessa única sequência?

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4) Saiba o timing certo de apresentar o seu conflito. O problema pra grande parte dos autores (e isso me inclui!!) é saber em que momento introduzir as deixas que vão levar ao conflito central da história. Honestamente, não existe bem uma receita pra isso, mas algumas coisas podem nos ajudar. Em suma, mantenha em mente o seguinte: não tenha pressa, nem demore demais. Se você atirar a merda no ventilador toda de uma vez, o leitor mal vai ter tempo de processar a informação; um pouquinho de suspense não faz mal a ninguém. Plante dúvidas, faça uma trilha pro leitor seguir. Mas não prolongue demais essa trilha, senão é capaz do seu leitor resolver seguir por outro caminho e simplesmente abandonar a história, já que nada acontece. Depois que o leitor já estiver ambientado e conhecer todos os personagens principais, é hora de plantar a primeira semente, com alguma cena chave que apenas crie perguntas, ao invés de respondê-las. E a partir daí, caminhar com a trama.

É claro que nenhum desses itens é regra. Como tudo que eu falo aqui no Guia, são dicas – e embora você tenha boas chances se segui-las, não há nada que te impeça de ser bem sucedido fazendo o contrário. Acho que é tudo uma questão de tentativa e erro, mas um exercício legal de se fazer é olhar os começos de livros que você mais gosta e ver o que eles tem em comum, É surpreendente o que a gente pode encontrar de vez em quando.

Por hoje é isso! Espero vocês (e suas perguntas, tamo de olho) na semana que vem! Hasta la vista!


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