Guia de Sobrevivência do Escritor #7 3
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Guia de Sobrevivência do Escritor #7

 

 

 

 

 

 

Hoje tem pergunta #eba! Então vamos lá.
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Ah, Pâmela. Senta aqui e vamos conversar.

É uma verdade universalmente reconhecida que escritores tem ideias o tempo inteiro. Independente de você escrever por diversão ou profissionalmente, sua cabeça está constantemente funcionando – enquanto você escreve um conto, talvez tenha ideia pra mais dois, e no meio do caminho de um livro, sempre existem pelo menos umas 78685896079 ideias brigando pela sua atenção. E isso é bom: significa que você está com a criatividade ativa e que ideias não vão faltar. Maravilha.

Mas também é uma bosta, porque significa que você está o tempo todo tentando decidir pra qual ideia dar prioridade. E aí sua mente (e sua vida) dá um nó.

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Eu acho que não existe solução perfeita pra isso, e o como prosseguir vai depender única e exclusivamente de você – e eu sei, nenhuma novidade nisso, afinal, esse é o conselho que eu dou toda semana. Mas a verdade é que esses embates criativos, tais quais todos os outros problemas que você vai enfrentar na sua vida de escritor, são coisas que acontecem várias vezes ao longo da nossa vida e que você precisa descobrir como lidar.

Mas já que eu estou aqui, vamos dar uma forcinha.

Pessoalmente, eu acho que parar um projeto pra dar chance pra outro não é a solução. Na verdade isso cria uma leva de problemas, porque você acaba começando novos projetos o tempo todo e nunca termina os que estão começados. A gente fica pilhado com novas ideias porque elas são novas. É tipo quando você já tem um celular bacana e lançam outro muito legal – você não quer realmente o telefone, porque o seu já é o bastante, mas você quer fazer parte da novidade. Com ideias são a mesma coisa. E assim como a tecnologia dos dias atuais, novas ideias surgem o tempo todo. Ou seja, se você trocar de celular – ou de ideia – a cada novo que aparecer, você nunca vai ter tempo de explorar tudo o que podia no antigo.

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Evidentemente, isso também cai nos maravilhosos tons de cinza em que vivemos a vida. Me usando como exemplo: quando eu era mais nova, eu abria um novo projeto assim que ele começava a se formar na minha cabeça. Mas diferente do que acontece hoje em dia, eu conseguia levar todos os meus projetos simultaneamente. Assim, sem grilo. Hoje eu escrevia um, amanhã de outro, e por aí vai. E eu terminava tudo que começava, o que era mais impressionante. Então tudo vai depender de você e da sua capacidade de se dedicar a tantas histórias. É uma questão de prática e comprometimento, mas pode ser feito.

Dito isso, acho importante que a gente não abandone nenhuma ideia. Isso não significa necessariamente iniciar um projeto pra se dedicar a ela, mas simplesmente gastar um tempo da sua vida pra tirar ela da cabeça de uma maneira simples: esquematizando.

Então se você tem uma história nova te atormentando, mas não quer pausar o que está fazendo, puxe um caderno e escreva o que você tem até agora. Escreva a sinopse, os personagens, as cenas que estão na sua cabeça. Não se preocupe em coerência, em ordem, em desenvolvimento. Só se livre das ideias. É engraçado, mas às vezes é só disso que você precisa – e a partir do momento em que elas estão no papel, puf, você é um elfo livre de novo. E o que é melhor, você agora tem um documento bonitinho de algo que pode virar um livro muito bacana no futuro – sem precisar abandonar nada do que você está fazendo no momento. Satisfação garantida.

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Como sempre, o esquema é saber o que é melhor pra você. Pode ser que botar no papel não baste, e aí você se veja “obrigado” a escrever de fato, como faria com qualquer outro projeto. Pode ser que você se descubra muito bom em levar múltiplos projetos adiante, ou pode ser que você estrague tudo e não termine nada. Não tenha medo. Faça, porque é o único jeito de descobrir no que vai dar. Seja seu próprio guia.

Quer aparecer aqui no Guia? Deixe suas perguntas nos comentários! Nos vemos semana que vem 😉

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Guilherme Cepeda
Guilherme Cepeda é podcaster, blogueiro e escritor. Pós-Graduado em Marketing e apaixonado por tecnologia e literatura desde sempre, em 2010 resolveu criar um blog para compartilhar sua opinião com os amigos. Jamais imaginaria que o projeto chegaria tão longe, tornando-se hoje o Burn Book, um dos maiores portais de literatura jovem do Brasil. Escreveu em co-autoria os livros da série Minha Vida, e em seu trabalho mais recente, já pela Editora Burn Books, publicou o conto “Estarei em Casa para o Natal” na antologia que leva o mesmo nome, também foi publicado em outras antologias pelas Editoras Wish, Villa-Lobos e Rouxinol. Guilherme é co-criador do Podcast “BurnCast”, o qual é responsável pela edição, pós-produção e roteiro há mais de um ano.

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