Jogador Nº 1 | Resenha 3
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Jogador Nº 1 | Resenha

Jogador Nº 1 – Ernest Cline

Pontuação Geral: 97%

Enredo: 100

Personagens: 100

Diagramação: 90

Conforme anunciado pelo Omelete, os atores Simon Pegg (“Trilogia do Cornetto” e Star Trek) e Tye Sheridan (X-Men: Apocalipse) vêm ao Brasil em dezembro para promover o filme de Steven Spielberg baseado em Jogador Nº 1 na Comic Con Experience 2017.

Aproveitando a deixa, finalmente resolvi escrever uma resenha do livro que deu origem a tudo isto.

Insert Image Here: >>> https://images-na.ssl-images-amazon.com/images/I/71PFWmAOezL.jpg >>> Source: Amazon Book Cover

O melhor tratado nerd da história: Jogador Nº 1 – O livro é basicamente uma sequência de aventuras incríveis com aparições de literalmente tudo de legal e interessante que foi criado em todas as formas de mídia nerd nos últimos quarenta anos!

SINOPSE: O livro começa em 2044 em um futuro distópico em que diversas crises governamentais e energéticas levaram o mundo a beira do colapso. O conceito de high-tech, low-life (alta tecnologia e baixa qualidade de vida), que teve origem em clássicos como Neuromancer e rapidamente se tornou popular, está totalmente presente nesta realidade.

Nela acompanhamos o protagonista Wade Watts em suas aventuras pelo OASIS, uma espécie de MMORPG global de realidade virtual que praticamente todo mundo joga e que tem absolutamente todos os mundos e jogos criados no universo nerd. 

De Monty Python até Simpsons, de Senhor dos Anéis até World of Warcraft, passando por Star Wars, Star Trek e até mesmo Firefly, praticamente tudo de relevante está presente lá e é mencionado uma hora ou outra durante o decorrer da história.

O criador do OASIS, James Halliday era um super nerd e fã de todas as coisas relacionadas a essa cultura – especialmente relacionado aos anos 1980. Quando ele falece, é divulgado um vídeo em que ele explica como escondeu easter eggs dentro do jogo e quem encontrá-los será o novo proprietário do jogo.

Com esta premissa estabelecida começa uma busca ao tesouro em que acompanhamos os protagonistas dentro do OASIS e a principal chave para vencer é o conhecimento nerd. Estas menções e inúmeras referências a pedaços da cultura nerd são o principal fator que torna o livro tão gostoso de ler para quem gosta deste tipo de coisa. 

Além disto, a melhor coisa é que elas são feitas de maneira totalmente integrada a história e melhoram a leitura no lugar de serem essenciais para ela. Da mesma forma que não é preciso assistir todos os filmes do Universo Marvel para aproveitar um deles, não é preciso conhecer todas as referências para aproveitar o livro que apenas tornam a experiência mais enriquecedora.

Infelizmente a versão brasileira do livro conta com alguns erros de tradução e fãs que dominam o inglês terão uma experiência melhor com uma das versões americanas ou até mesmo com a versão do audible. Ela é lida por Wil Wheaton, que inclusive tem uma breve participação no livro, e sempre será lembrado como o Wesley Crusher de Star Trek: The Next Generation.

Personagens reais e distopia possível – Temos a jornada do herói completa com Wade (Parzival), o melhor amigo/rival em Aech, o interesse amoroso em Samantha (Art3mis) e um vilão implacável em Nolan Sorrento (IOI-655321). Daito e Shoto servem bem como personagens secundários e seu envolvimento eventual é crucial para aumentar a tensão entre todos os personagens que conta com sequências de batalhas conjuntas incrivelmente cinematográficas no terceiro ato.

James Halliday (Anorak) e Ogden Morrow, co-criador do OASIS e melhor amigo de Halliday, também são personagens interessantes e sua relação é outro destaque que a maioria dos reviews do livro deixa de mencionar. A presença quase mística de ambos e as funções que eles desempenham na história – especialmente o papel distinto de mentores e aliados – são críveis e funcionam muito bem dentro da história.

Todos os personagens tem arcos narrativos claros e motivações bem estabelecidas, o que torna acompanhar a aventura deles neste mundo favorito algo muito mais realista do que seria se os protagonistas fossem mal escritos.

O mesmo pode ser dito sobre o mundo do livro já que apesar de parecer futurista, a ideia de que no futuro a humanidade estará totalmente ligada a um MMORPG como o OASIS e aos canais de transmissão de jogos, partidas e até mesmo misturas de tudo isto, como os feeds criados pelos protagonistas, também é muito mais plausível do que parece. Já estamos vendo o aumento da popularidade dos e-sports e até mesmo competidores famosos de outros esportes como Lex Veldhuis já transmitem todos as suas partidas por aplicativos como o Twitch, ganhando centenas de milhares de seguidores durante o processo.

Considerando o crescimento absurdo deste tipo de mídia, levando em conta o futuro promissor de e-sports e o avanço irrefreável da tecnologia de realidade virtual/aumenta e outros tipos de transmissão de vídeo, definitivamente não é nada absurdo imaginar que no futuro teremos uma obsessão ainda maior por este tipo de coisa e será muito interessante acompanhar o desenvolvimento disto na vida real.

Um último easter egg antes de partir – Em uma das coisas mais meta já realizadas neste universo Andy Weir, autor do já clássico Perdido em Marte, outro livro absolutamente nerd, escreveu uma fan fiction de Jogador Nº 1 chamada “Lacero” que explica as origens de um dos principais antagonistas e pode ser lida no site do autor.

O Ernest Cline gostou tanto que a história agora é canône e foi até mesmo inserida nas novas edições do livro. 

Para qualquer um que goste de cultura nerd e quer conhecer ou reconhecer diversas referências e pontos importantes dos últimos quarenta anos o livro é absurdamente divertido e super recomendado!

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Jogador Nº 1 | Resenha 4


Guilherme Cepeda
Guilherme Cepeda é podcaster, blogueiro e escritor. Pós-Graduado em Marketing e apaixonado por tecnologia e literatura desde sempre, em 2010 resolveu criar um blog para compartilhar sua opinião com os amigos. Jamais imaginaria que o projeto chegaria tão longe, tornando-se hoje o Burn Book, um dos maiores portais de literatura jovem do Brasil. Escreveu em co-autoria os livros da série Minha Vida, e em seu trabalho mais recente, já pela Editora Burn Books, publicou o conto “Estarei em Casa para o Natal” na antologia que leva o mesmo nome, também foi publicado em outras antologias pelas Editoras Wish, Villa-Lobos e Rouxinol. Guilherme é co-criador do Podcast “BurnCast”, o qual é responsável pela edição, pós-produção e roteiro há mais de um ano.

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