“New York 2140”, novo livro de Kim Stanley Robinson, traz novamente o aquecimento global como ponto de discussão mundial, com críticas positivas. Através dos olhos dos habitantes de um edifício, o autor mostra como Nova York, uma das maiores cidades do mundo, sofre mudanças com a alta das marés. O ano é 2140 e o governo americano ainda zela pelo bem-estar do capital, e não das pessoas.

A ficção climática mostra uma Nova York submersa por consequência do aquecimento global, com exceção de Manhattan, que ganhou o apelido de “Super Veneza”. Os moradores remanescentes vivem num arranha-céu de 50 andares, recém-construído na parte norte, perto de The Cloisters. O Metropolitan Life Insurance é um prédio semelhante ao Campanário de São Marcos, em Veneza. As ruas se tornam canais e os habitantes se adaptam à nova vida usando barcos particulares, táxis aquáticos e vaporetos para a locomoção.

Entre os personagens centrais estão uma ativista social e ex-mulher do presidente do Fed, um operador de fundos de hedge, uma strip-teaser defensora de animais, um zelador que mergulha, dois meninos sem-teto e uma dupla de hackers. Juntos eles tentam acabar com a especulação imobiliária na área habitável da cidade.

Neste momento e com a desesenfreada mudança de clima, um furacão devastador de nome Fyodor se abate sobre a Super-Veneza americana afundando-a um pouco mais. Este fenômeno remete aos furacões recentes que se abateram sobre os Estados Unidos, como o Irma, e insinua a quantas anda o próprio Acordo de Paris (2015) depois da eleição de Donald Trump.

Na história, Denver, no Colorado, se torna o centro financeiro e cultural dos Estados Unidos. O autor faz também uma crítica sobre o sistema financeiro, quando o governo americano socorreu os bancos na crise de 2008. O clima extremo é comparado aos males que Wall Street pode causar ao mundo.


Kim Stanley Robinson, autor de mais de 20 livros, já tinha a ficção climática como tema na trilogia sobre Marte: “Red Mars”, “Green Mars” e “Blue Mars” (1993 a 1996). Depois de sua viagem à Antártida, em 1995, escreveu o livro “Antarctica” (1997), que também tem inspiração nas mudanças climáticas. O tema volta a ser abordado na obras “Fourty Signs of Rain”, “Fifty Degrees Below” e “Sixty Days Counting”, que fazem parte da trilogia  “Ciência na Capital” (2004 a 2007).

“Podemos reformar o capitalismo rapidamente por meio de ação política e legislativa. A mudança climática não é tão fácil de mudar”, diz o romancista. “O capitalismo global financeirizado é a principal causa da mudança climática, e não a população humana por si só, nem a tecnologia suja.”

Ficha Técnica:

New York 2140
Autor: Kim Stanley Robinson
Lançamento: março de 2017
Editora: Orbit
Idioma: Inglês
Páginas: 624
Preço sugerido (site Amazon): R$ 78. (capa dura)


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