Primeiramente e com certeza o mais importante antes de se iniciar essa leitura é a pergunta: já leu Corte de espinhos e rosas? Se sim, venha se divertir e surtar comigo nessa resenha. Se não… bom, NÃO leia essa resenha, leia essa aqui! Com Sarah J. Maas é impossível falar do próximo livro sem destruir os maiores segredos do anterior e não quero ninguém lendo spoilers gigantes e chorando depois okay? Então vamos lá!

Depois dos últimos acontecimentos de Corte de espinhos e rosas Feyre se encontra em pedaços, cada respiração é difícil, o sono é vencido por pesadelos, cada dia parece infinito em si mesmo e só de pensar que agora ela tem toda a eternidade pela frente um vazio toma conta e nada parece certo.

Eu era a assassina de inocentes e a salvadora de uma terra.

Ela fez o que tinha que fazer pelo homem que amava, por Tamlin, mas começa a pensar que para isso ela teve que matar uma parte de si mesma, ela teve que se despedaçar e agora não sabe como juntar os pedaços, nenhum deles. E nem mesmo Tamlin, que antes era como o raio mais ardente de sol, a ajuda a afastar as trevas de seus dias, nem mesmo os beijos mais ardentes ou as noites mais selvagens afastam sua mente do desespero que se encontra ali na esquina de seus pensamentos.

E Tamlin também não parece bem, ele está possessivo e cuidadoso demais, o que a sufoca. Feyre precisa de espaço para se redescobrir e Tamlin a enche de cuidados com a casa e aulas chatas e preparativos para o casamento, o que faz com que Feyre se lembre do laço entre os pais de Tamlin, o que a faz pensar que seja só uma questão de tempo até isso surgir entre ela e Tamlin e tudo fique mais fácil.

No fim algo grita que ela está querendo se enganar e ao ficar sozinha, olhar para a marca de Rhysand em sua mão e se lembrar de que as coisas nem sempre foram tão calmas e de que ela ainda tem uma dívida a pagar, o desespero, nojo e medo voltam a tomar conta.

Com a aproximação do casamento Tamlin piora, se tornando ainda mais protetor e isso faz com que Feyre não se sinta bem, ela começa a duvidar de si mesma e a não se achar boa o bastante para o que significa se casar com Tamlin, ela está a caminho do altar, hesitando, quase desistindo e fugindo quando Rhysand aparece em meio a noite e névoa, cobrando o preço de seus favores e levando Feyre embora.

Apavorada Feyre de repente se vê na Corte Noturna, com Rhysand e não sente metade do que deveria sentir, suas forças estão drenadas demais, contudo ele não a tortura ou outras coisas do tipo que passaram por sua cabeça. Rhysand apenas lhe oferece abrigo, roupas, boa comida e toda a liberdade que uma casa sem paredes e o ar da noite como cenário podem oferecer, com uma única condição, enquanto ela estiver ali aprenderá a ler e criar um escudo mental para mantê-lo longe de seus pensamentos.

E a semana passada ali só servem para mostrar que as coisas com Tamlin não estão seguindo na direção certa, principalmente quando ela consegue dormir quase a noite toda ali, principalmente quando ela voltou a comer e recuperou um pouco de seu peso, principalmente quando ela se sente triste ao notar que precisa ir embora.

Ao voltar Feyre tenta mostrar a Tamlin que é capaz de se proteger, ainda mais agora que ela possui um pouco do poder dos sete Grão Senhores, mas ele se mostra irredutível e isso acaba por desencadear uma série de situações que fazem com que Feyre desista de tudo e Rhysand tome uma decisão que mudará a vida de todos, esconderá segredos poderosos, nos apresentará personagens novos e intrigantes e nos revelará uma trama perigosa onde eles podem não ser mais do que peões num jogo por poder e morte.

-Ele acha que vai ser lembrado como o vilão d história.

Amren riu com deboche.

-Mas me esqueci de contar a ele – falei, baixinho, abrindo a porta. – que o vilão costuma ser a pessoa que trancafia a donzela joga a chave fora.

O livro começa num clima agonizante, é quase fisicamente doloroso ler sobre como a Feyre se encontra, é triste notar o quão mal ela está e desesperador pensar que é isso que a depressão faz com uma pessoa, pois aos poucos Feyre está se consumindo e você teme o dia em que ela sumirá pelo simples fato de Tamlin não querer ver o quão mal ela está. Acho que sua negligência é o início do meu ódio por ele, e o fato dele se mostrar um maldito dominador possessivo não contribuí para que eu pelo menos honre sua imagem no primeiro livro e lembre que ele também sofreu bastante. Porque nada, nada justifica o que ele faz com ela.

Tamlin me dera tudo o que eu precisava para me tornar quem era, me sentir segura, e, quando conseguiu o que quis, quando conseguiu o poder de volta, as terras de volta… parou de tentar. Ainda era bom, ainda era Tamlin, mas estava simplesmente… errado.

O que me leva a dizer como a Sarah J. Maas é maravilhosa em abordar temas tão relevantes, polêmicos e atuais como a depressão e relacionamentos abusivos num livro de fantasia fantástica e sair totalmente perfeito! Você mergulha tanto no desespero dela, em seu ser que é impossível não entender pelo menos um pouco pelo quê essas mulheres passam e se perguntar… Como elas sobrevivem? Como elas saem disso?!

Aquela garota que precisava ser protegida, que desejara estabilidade e conforto… ela morrera Sob a Montanha.

E é aí que o jogo vira meu bem e Sarah mais uma vez nos joga muitas bombas e somos atingidos por muitos tiros ao perceber que quem vai ajudar Feyre a se reerguer é Rhysand, que convenhamos desde do primeiro momento em que apareceu a gente já sabia que vinha mais por aí, contudo eu DUVIDO que vocês imaginariam algo como a Maas fez, foi novo, lindo, profundo e tãooo natural.

– Você mandou aquela música para minha cela. Por quê?

A voz de Rhysand estava rouca.


– Porque você estava se partindo. E eu não pude encontrar outra forma de salvá-la.


Pois ele lhe dá a única coisa de que ela precisa: liberdade de escolha. Desde o primeiro instante Rhysand não trata Feyre como uma menininha que precisa de cuidados, ele a trata como igual e sempre, sempre lhe dá uma opção. Ela pode confiar nele ou não. Ela pode apreender a se defender ou continuar indefesa. Ela pode seguir em frente ou continuar sofrendo. Ela pode se perdoar ou se culpar. E isso faz dela uma pessoa mais forte, isso faz dela uma mulher sensacional que surpreende a todos.

E faz dos dois um dos meus shipps mais doidos e profundos, porque o romance desses dois é de outro patamar, é algo transcendente e que toca a alma, é algo que não vem só dos raios de sol e desejo – e pessoal tem cenas beem quentes hein! -, é algo que vem do fundo do poço, algo que vem da dor compartilhada e do entendimento, do amor que surge pelo que você é do jeito que é, com todos os defeitos e qualidades.

Contudo não se enganem, isso não é um romance, apesar de ter romance a trama não gira em torno disso. O reino de Prythian acabou de ser libertado por décadas de trabalho escravo nas mão de uma mulher cruel e poderosa e agora está se reerguendo aos poucos. Todos estão tensos e tentam eliminar o que resta dos males causados, das bestas soltas e ainda reconstruir seus reinos, mas algo está errado e Rhysand não só sente como sabe disso e está investigando tudo, só para descobrir coisas que o fazem temer pelo futuro.

Assim somos apresentados a um quarteto que de longe passou a ser um dos meus queridinhos, o círculo pessoal de Rhysand formado por Morrigan/Mor, Amren, Cassian e Azriel e a toda uma gama de lugares, pessoas e reinos que antes não tínhamos acesso por Feyre estar confinada em casa.

Não quero contar muito mais, pois posso me empolgar e aí serão mais parágrafos e parágrafos, o livro tem mais de 700 páginas, MUITA coisa acontece e todas são maravilhosas de se ver em primeira mão. Esse é o tipo de livro que te prende de inúmeras maneiras, primeiro é a curiosidade de saber o que veio depois, depois são os personagens que aparecem e então a dor das descobertas e então os acontecimentos alucinantes e as graças dos novos horizontes que aparecem e depois ainda o romance e o alucinante gancho que encaminha para o final.

Tudo é de tirar o fôlego, bem como a Sarah j. Maas sabe ser. E nunca deixo de me surpreender com a profundidade com que ela mergulha no cerne do ser humano, foi incrível ver a jornada de perdão e cura e descoberta da Feyre. Foi maravilhoso ter outros pontos de vista sendo narrados. Foi sensacional abrir essa porta e cair de cara nesse novo caminho e ser amparada por personagens tão carismáticos. Todos e tudo cresce e você sente que precisa crescer junto.

Só digo uma coisa: se preparem para surtar! 

Capa100
Enredo100
Narrativa100
Personagens100
Nota dos Leitores:3 Votes78
100

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