Resenha: O vilarejo, de Raphael Montes

Em 1589, o padre e demonologista Peter Binsfeld fez a ligação de cada um dos pecados capitais a um demônio, supostamente responsável por invocar o mal nas pessoas. É a partir daí que Raphael Montes cria sete histórias situadas em um vilarejo isolado, apresentando a lenta degradação dos moradores do lugar, e pouco a pouco, o próprio vilarejo vai sendo dizimado, maculado pela neve e pela fome.

As histórias podem ser lidas em qualquer ordem, sem prejuízo de sua compreensão, mas se relacionam de maneira complexa, de modo que ao término da leitura as narrativas convergem para uma única e surpreendente conclusão.


O livro certo, no formato errado. O novo livro de Raphael Montes surpreende na ousadia e no roteiro assustador, mas peca no desenvolvimento da narrativa que poderia ter sido melhor explorada no formato de “romance”, assim como o autor fez em “Dias Perfeitos”.

O prefácio do novo livro de Raphael Montes me fez passa-lo para o topo da lista de leituras, e assim como André Vianco disse na contra capa, é um livro para ler numa sentada só.

Logo nas primeiras páginas do livro, Montes nos leva para uma aventura que conta como ele teve acesso às histórias que foram mostradas no livro, desde o primeiro contato com o manuscrito, o processo de tradução, a identificação da fonte e a transformação de um caderno antigo, em um projeto ilustrado chamado “O vilarejo”.

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Como diz o título, o livro é dividido em 7 contos que se passam no vilarejo, e vão se entrelaçando aos poucos, de maneira inusitada, até chegar ao grand finale que é surpreendente. O livro tem cerca de 90 páginas (contando com as ilustrações), e confesso que não consegui me identificar/ficar imerso em metade dos contos, ou seja, das 7 histórias, apenas 3 me agradaram. Não que “O Vilarejo” seja um livro ruim, mas estava esperando outra coisa e por pouco, acabou não superando minhas expectativas.

Os contos de terror/suspense são bem construídos, mas acredito que se o autor tivesse transformado os 7 contos em uma história de terror com uma pegada mais cinematográfica, o livro ficaria mais fluido e colocaria o leitor no meio do vilarejo.

O projeto é audacioso, quebra os padrões do que as editoras vem publicando por ai, principalmente por trazer um texto que foi criado a partir da tradução de uma série de contos antigos, escritos em cimério (uma linha antiga pertencente ao ramo botno-úgrico). 

Recomendo o livro para os fãs de terror, e também para aqueles que buscam histórias assustadoras, no melhor estilo dos irmãos Grimm.

Leia um trecho do livro aqui.

Capa90
Narrativa83
Desenvolvimento50
Projeto Gráfico100
Nota dos Leitores:7 Votes73
81

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