Título: Puros (Pure)

Autora: Julianna Baggott
Editora: Intrínseca
Número de páginas: 368

Resenha por: Guilherme Cepeda

Pressia pouco se lembra das Explosões ou de sua vida no Antes. Deitada no armário de dormir, nos fundos de uma antiga barbearia em ruínas onde se esconde com o avô, ela pensa em tudo o que foi perdido — como um mundo com parques incríveis, cinemas, festas de aniversário, pais e mães foi reduzido a somente cinzas e poeira, cicatrizes, queimaduras, corpos mutilados e fundidos. Agora, em uma época em que todos os jovens são obrigados a se entregar às milícias para, com sorte, serem treinados ou, se tiverem azar, abatidos, Pressia não pode mais fingir que ainda é uma criança. Sua única saída é fugir.

Puros é um livro distópico futurista, original, assustador e ao mesmo tempo viciante.

Normalmente os romances distópicos seguem a mesma linha, mas Puros conseguiu tomar outro caminho evolutivo e assumiu um tom obscuro, com paisagens áridas, personages deformados e situações que não estão muito longe de nosso cotidiano.

Pressia Belze é uma garota de 16 anos desfigurada que luta pela vida em um mundo pós-apocaliptico. Como uma sobrevivente do mundo criado por Juliana Baggott, Pressia é uma personagem que transfere um sentimento de perda e dor conforme descreve suas experiências perturbadoras, mas de uma forma real e honesta, que mostra que ainda há esperanças num mundo aparentemente perdido.

A premissa de Puros é um mundo perfeito cercado de um Domo, e para alcançar a perfeição o governo detonou boa parte do restante daquela área e os que tiveram o privilégio de viver dentro do Domo foram batizados de “Puros”. A vida dentro do Domo é quase perfeita, não apresenta perigos e essa realidade foi criada para a humanidade sobreviver no meio desse grupo seleto de pessoas até que o mundo se tornasse habitável.

– Sabemos que vocês estão aqui, nossos irmãos e irmãs. Um dia sairemos do Domo e nos juntaremos a vocês em paz. Por enquanto, observamos de longe, com benevolência.

A narrativa do livro é feita pela visão de vários personagens, permitindo ao leitor uma visão completa do mundo em que vivem e um olhar mais próximo da realidade “fora do Domo”. Os personagens criados por Baggott são complexos e obscuros mas a autora deu um toque de esperança em cada um encontrando a beleza nas pequenas coisas. Confesso que fiquei agoniado em várias partes do livro, principalmente quando se tratava de algum personagem afetado pelas detonações.

Julianna Baggott escreve de uma forma racional, que nos faz pensar se a realidade de “Puros” é algo tão distante da nossa realidade, trata do esgotamento da terra e a ação do ser humano sobre os recursos naturais e a ideia de controle sob a vida.

A unica falha de Puros é que eu demorei um pouco para me acostumar com o ritmo do livro que se desenvolve na mesma velocidade que os personagens e depois de um determinado ponto, você não consegue mais parar de ler.

"Baggott não imita ninguém; com sucesso, cria e povoa todo um novo universo." (Kirkus Reviews)

Com um toque sombrio, o livro é um misto de romance complexo situado num mundo pós-apocalíptico recomendo para os leitores adeptos aos livros distópicos com um toque diferente, se você procura um livro que vai fazer você refletir, Puros é o livro da vez.

 

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