Doctor Who, a série britânica de ficção científica e aventura produzida pela BBC, criada por Sydney Newman; Verity Lambert; C.E Webber e Donald Wilson é um ícone cultural do Reino Unido e um marco da cultura pop, e vem se mantendo na ativa por mais de 50 (CINQUENTA) anos. Sim, ela sofreu uma pausa em 1989, porém jamais foi esquecida, tendo um filme em 1996 e sendo revitalizada em 2005. New Who, como é conhecida a nova fase, não exige que ninguém precise ver as 26 temporadas (e o filme) para compreender a história, apesar de respeitar e preservar a cronologia estabelecida. Por mais célebre que seja, ou por mais sucesso e audiência que tenha alcançado, nenhum outro programa de televisão sonha em sequer encostar nos calcanhares do viajante do tempo mais famoso de todos (talvez só o Programa Silvio Santos). Poucos produtos televisivos conseguiram transcender sua época e manter uma renovação constante, evitando o desgaste, as incansáveis brigas de elenco ou o simples esgotamento de ideias. Mas como Doctor Who, depois de mais de meio século, consegue se manter atual, relevante e influente

Precisamos combinar que sua sinopse já a favorece, pois, uma história que tem como fio condutor viagens pelo espaço-tempo, oferece uma gama tão infinita de possibilidades como o próprio universo. A série fala sobre amor; amizade; preconceitos; medo; superação; entre muitas outras coisas. São a partir de temas simples como esses que Shakespeare também continua sendo atual. Ao assistirmos Doctor Who, nunca sabemos se estamos vendo uma série de ficção científica ou de terror; uma história de romance ou de aventura; se vamos rir ou chorar. Esse grande caldeirão por si só já possibilitaria muito pano pra manga.

Mas o pulo do gato entrou quando os produtores tiveram de lidar com a saída do primeiro intérprete do Doutor, William Hartnell. O ator já era um homem de idade quando deu vida ao personagem em 1963, e já dava trabalho à toda equipe com seu jeito rabugento, mas ao passo em que se tornava mais terno com as lições aprendidas com o próprio programa, sua saúde se debilitava (ele sofria de arteriosclerose); sua memória enfraquecia cada vez mais; e também se desanimava com a debandada da equipe de produção original. Não fazia parte dos planos, mas com a audiência do show em alta, os produtores introduziram o conceito da regeneração.

William Hartnell, o primeiro Doutor.

Visto que o Doutor é um alienígena de uma raça tremendamente evoluída (os Senhores do Tempo), foi decidido que, ao se deparar com a morte, ele poderia voltar à vida com corpo e personalidade totalmente diferentes, porém preservando sua memória e experiências anteriores, o que dava novo gás a série, com vertentes diferentes do personagem para cada ator que assumisse o papel posteriormente, cada um dando seu tom e estilo de interpretação.

Esse recurso também foi utilizado para outros produtos de sucesso, como a franquia 007, por exemplo. Mas, diferentemente de James Bond, que simplesmente troca de aparência sem dar nenhuma satisfação, em Doctor Who temos uma razão e uma explicação coerente para essas mudanças acontecerem, inclusive o conceito de regeneração já tendo servido como motor para alguns arcos em determinadas temporadas.

A primeira mudança geralmente é a mais complicada e a que enfrenta maior resistência dos fãs (como pôde observar o pobre George Lazenby, primeiro Bond depois do icônico Sean Connery, que foi o único ator a fazer apenas um filme do espião, tamanho o choque da substituição).


George Lazenby, segundo ator a interpretar o 007. Lembra dele?

No final das contas, as regenerações se tornaram mais do que um mero recurso para que o programa continue, mas também uma das principais características da série. É sempre uma emoção se despedir de um Doutor; sempre uma curiosidade para descobrir quem será o próximo; e sempre uma diversão quando duas ou mais encarnações se encontram em um episódio. Hoje temos 13 versões do personagem, e sem dúvida todos temos nosso preferido, uns mais fofos (David Tennant), outros mais cômicos (Matt Smith) e alguns mais sombrios (dá-lhe Peter Capaldi!), e, com os eventos ocorridos na sétima temporada, ainda teremos muitos Doutores para conhecer.

E seria James Bond um codinome passado por gerações de 007 ou será que o agente do MI6 também é um Senhor do Tempo? PENSEM NISSO.


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