O desfecho intrigante e emocionante de Dark — Crítica da 3ª temporada 16

O desfecho intrigante e emocionante de Dark — Crítica da 3ª temporada


Esta crítica apresenta spoilers sobre os acontecimentos das temporadas anteriores de Dark, mas não será abordado quaisquer acontecimentos que revelam o desfecho da série.

A aclamada série alemã da Netflix retratada a vida de Jonas e dos moradores da cidade de Winden. Na trama, suas vidas pacatas são atormentadas após acontecimentos misteriosos, em que duas crianças desaparecem — Erik Obendorf e Mikkel Nielsen — sem deixar qualquer vestígio. Com isso, os segredos da cidade começam a ser revelados.



Ao final da 2ª temporada, enquanto algumas questões estão a caminho de suas conclusões, são iniciadas outras histórias e teorias sobre o grande questionamento da série: como tudo começou e como resolver a história de Winden e de seus personagens.

Em Winden além do fator tempo como matriz motora dos acontecimentos, no último episódio, enquanto a Martha que conhecemos encontra o fim de sua trajetória, morrendo pelas mãos de Adam, papel de Jonas no futuro, em meio ao apocalipse, temos o aparecimento de outra Martha, que surge de uma realidade paralela a que conhecemos, no qual o “onde” se torna igualmente importante ao fator de tempo.

A mitologia presente na história, que já era fundamental para compreender a estrutura da trama e da viagem pelo tempo, torna-se exponencialmente maior. Novamente temos a citação ao mito de Ariadne — que ajuda Teseu a sair do labirinto do Minotauro através de um fio de lã —, em que as referências bíblicas também se tornam essenciais para entender a importância destes personagens, e o seu contexto em um todo.

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Os ciclos se tornam ainda mais evidentes, quando vemos que aqueles personagens, por algum motivo, estão condenados a reviver sua história.

A terceira temporada se torna um tanto nostálgica por conta disto, o que pode até causar um sentimento estranho para com a narrativa, entretanto isso é compreensível, visto que tudo está relacionado com os ciclos, em que os personagens ainda tentam compreender o seu papel em meio à tudo isso, e como chegar no sonhado paraíso — seja ele um mundo sem Winden ou um mundo em que nada disto tenha acontecido.

Mesmo que a trama desta temporada seja centrada e dominada por Jonas e Martha, os personagens secundárias ganham desenvolvimentos dramáticos em que seus papéis podem ser finalmente compreendidos e que, mesmo de maneira sucinta, são abordados com cuidado, resultando em um final emocionante.

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Embora grande parte do seu desenvolvimento seja um pouco mais lento que as temporadas anteriores, os episódios finais são espetaculares. Dark não é rico apenas em sua mitologia e nas maneiras que escolhe para construir sua história, mas também pela forma que é capaz de refletir sobre a natureza humana. A roteirista Jantje Friese e o diretor Baran Bo Odar conseguem um equilíbrio entre a narrativa com o visual em que o final se torna extremamente memorável e único, entregando ao seu público um conteúdo totalmente satisfatório, adequando a ingenuidade e sutileza humana com a brutalidade que existe em cada um de nós, e do que somos capazes de fazer. Engrandecendo cada personagem e sua trajetória, nas estruturas dolorosas em que as famílias Nielsen, Kanwhald, Doppler e Tiedemann estão interligadas, marcando o fim e o começo de suas histórias como um poema.

A despedida de série consegue unir a beleza ao trágico. Com criatividade e confiança em sua trama e personagens, Dark entrega um desfecho digno à uma das maiores séries já produzidas pela Netflix.

Todos os episódios da 3ª temporada de Dark chegam a Netflix mundialmente no dia 27 de junho.


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