O desfecho intrigante e emocionante de Dark — Crítica da 3ª temporada

Esta crítica apresenta spoilers sobre os acontecimentos das temporadas anteriores de Dark, mas não será abordado quaisquer acontecimentos que revelam o desfecho da série.

A aclamada série alemã da Netflix retratada a vida de Jonas e dos moradores da cidade de Winden. Na trama, suas vidas pacatas são atormentadas após acontecimentos misteriosos, em que duas crianças desaparecem — Erik Obendorf e Mikkel Nielsen — sem deixar qualquer vestígio. Com isso, os segredos da cidade começam a ser revelados.



Ao final da 2ª temporada, enquanto algumas questões estão a caminho de suas conclusões, são iniciadas outras histórias e teorias sobre o grande questionamento da série: como tudo começou e como resolver a história de Winden e de seus personagens.

Em Winden além do fator tempo como matriz motora dos acontecimentos, no último episódio, enquanto a Martha que conhecemos encontra o fim de sua trajetória, morrendo pelas mãos de Adam, papel de Jonas no futuro, em meio ao apocalipse, temos o aparecimento de outra Martha, que surge de uma realidade paralela a que conhecemos, no qual o “onde” se torna igualmente importante ao fator de tempo.

A mitologia presente na história, que já era fundamental para compreender a estrutura da trama e da viagem pelo tempo, torna-se exponencialmente maior. Novamente temos a citação ao mito de Ariadne — que ajuda Teseu a sair do labirinto do Minotauro através de um fio de lã —, em que as referências bíblicas também se tornam essenciais para entender a importância destes personagens, e o seu contexto em um todo.

Os ciclos se tornam ainda mais evidentes, quando vemos que aqueles personagens, por algum motivo, estão condenados a reviver sua história.

A terceira temporada se torna um tanto nostálgica por conta disto, o que pode até causar um sentimento estranho para com a narrativa, entretanto isso é compreensível, visto que tudo está relacionado com os ciclos, em que os personagens ainda tentam compreender o seu papel em meio à tudo isso, e como chegar no sonhado paraíso — seja ele um mundo sem Winden ou um mundo em que nada disto tenha acontecido.

Mesmo que a trama desta temporada seja centrada e dominada por Jonas e Martha, os personagens secundárias ganham desenvolvimentos dramáticos em que seus papéis podem ser finalmente compreendidos e que, mesmo de maneira sucinta, são abordados com cuidado, resultando em um final emocionante.

Embora grande parte do seu desenvolvimento seja um pouco mais lento que as temporadas anteriores, os episódios finais são espetaculares. Dark não é rico apenas em sua mitologia e nas maneiras que escolhe para construir sua história, mas também pela forma que é capaz de refletir sobre a natureza humana. A roteirista Jantje Friese e o diretor Baran Bo Odar conseguem um equilíbrio entre a narrativa com o visual em que o final se torna extremamente memorável e único, entregando ao seu público um conteúdo totalmente satisfatório, adequando a ingenuidade e sutileza humana com a brutalidade que existe em cada um de nós, e do que somos capazes de fazer. Engrandecendo cada personagem e sua trajetória, nas estruturas dolorosas em que as famílias Nielsen, Kanwhald, Doppler e Tiedemann estão interligadas, marcando o fim e o começo de suas histórias como um poema.

A despedida de série consegue unir a beleza ao trágico. Com criatividade e confiança em sua trama e personagens, Dark entrega um desfecho digno à uma das maiores séries já produzidas pela Netflix.

Todos os episódios da 3ª temporada de Dark chegam a Netflix mundialmente no dia 27 de junho.

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