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A série O Mecanismo e a incapacidade de consumo do público brasileiro

O sonho de qualquer roteirista de Hollywood seria retratar a realidade política brasileira. Sem dúvida a famosa House of Cards ficaria no chinelo. Pois bem, José Padilha aceitou o desafio e trouxe uma série original da Netflix O Mecanismo, baseada no livro Lava Jato: O Juiz Sergio Moro e os Bastidores da Operação que Abalou o Brasil, do jornalista Vladimir Netto. O que chamou atenção não foi a série em si, mas as reações por parte do público e de figuras importantes. Elas demonstram a incapacidade de consumo do público brasileiro.

Quando o termo “público brasileiro” é adotado precisamos esclarecer, para evitar qualquer má interpretação, que abrange-se tanto quem exalta quanto quem aponta a série como uma vilã. De forma nenhuma esse texto tem o objetivo de estabelecer a importância da mesma ou a veracidade. Efetivamente, a real função é escancarar o quanto somos sensíveis a obras que tratam da nossa política. 

Comecemos com o primeiro grupo citado. O livro em que a série é baseada foi escrito por Vladimir Netto e coloca o juiz Sérgio Moro em uma espécie de pedestal. Infelizmente é muito comum isso acontecer porque as histórias sentem a necessidade de um herói. Fica exposta a dualidade entre bem e mal, certo e errado, preto e branco. Não é necessário ser um especialista para saber que, assim como o ser humano é complexo, as histórias também são. Pode não ser de conhecimento geral, mas obras jornalísticas jamais expõem a verdade em sua plenitude, apenas uma parte ou um olhar específico. Então, analisar a série como se cada capítulo fosse genuíno é, no mínimo, ingênuo.

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Agora é a hora de tentar acalmar os corações acalorados daqueles que gritam “calúnias” aos quatro ventos. Foram esses os que abominaram a série, mas também serviram como “equipe de marketing” ao trazê-la para as redes sociais com suas ameaças de cancelamento do serviço de streaming. O brasileiro não está acostumado a reagir a polarização quando conta-se a sua própria história, mas o mercado cinematográfico estadunidense está cheio de exemplos como esse, principalmente se o tema são as guerras. Um dos poucos longas que quebra esse padrão e, ironicamente, não tornou-se popular é Na mira do Atirador, onde um soldado americano é encurralado por um atirador iraquiano que propõe a discussão sobre a real intenção da guerra e como ela afetou o país. Ou seja, a melhor forma de confrontar a intenção da série não é ignorando-a, mas acrescentando uma nova visão e detalhes para uma formação de opinião mais rica.

Esse alvoroço criado pela série O Mecanismo é uma prévia do que podemos esperar nesse ano de eleição. A ansiedade por ter um posicionamento, principalmente nas redes sociais, traz um olhar extremista dos mais diferentes lados. Em vista disso, a grande dúvida é: a série é um desserviço ao povo brasileiro ou ele precisa aprender a interagir com o mercado do entretenimento com mais critério e menos impulsos?

 

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Viviane Oliveira
Tecnóloga em Projetos Mecânicos desde 2017, estudante de Jornalismo, cosplayer, cosmaker, redatora freelancer desde 2016, amante da Mulher Maravilha e de Star Wars.

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