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Irmandade | Saiba tudo o que rolou na coletiva de imprensa da nova série brasileira da Netflix

A equipe do Burn Book participou da coletiva da série Irmandade, a nova série brasileira da Netflix com Seu Jorge Naruna Costa.

Na trama, a advogada honesta Cristiana (Naruna Costa) enfrenta um dilema moral depois que a forçam a delatar o seu irmão (Seu Jorge), que está preso e lidera uma facção criminosa, Irmandade, em ascensão.




Pedro Morelli, diretor da série, começou a coletiva comentando sobre o processo criativo. “A Netflix já tinha alguns temas que gostaria de abordar em séries, entre eles as facções criminosas. Eu me interessei muito, e já tinha interesse nesse tema. Eu e a minha parceira Andrea [Barata Ribeiro] começamos a desenvolver o projeto à partir desse tema.”

Irmandade tem um conceito próprio, não sendo inspirado em nenhuma facção. Segundo Morelli, foi feita uma vasta pesquisa sobre as facções criminosas de São Paulo, mas que a trama não foi inspirada em nenhum caso real, nenhum personagem é inspirado em alguém. “Nós pegamos o conceito do que significa uma facção criminosa, como funciona.”

O diretor também comenta sobre a escolha da série se passar nos anos 90. “Quando estávamos conversando sobre facções criminosas, tínhamos algumas possíveis abordagens. A mais esperada, e a menos bacana na minha opinião, seria a do policial investigando a facção, que foi justamente o que eu quis evitar. A segunda ideia era de fazer sob o ponto de vista do líder da facção, colocar ele no centro da trama. E a outra ideia era de colocar uma mulher como protagonista, que é o caso de Cristiana [Naruna Costa]. Abordar esse universo através da ótica da mulher. Nesse intercâmbio de dentro e fora da prisão. Para ter uma protagonista mulher nesse contexto, a gente precisava estar numa era antes dos aparelhos celulares. Com eles, os integrantes comunicam entre si mais facilmente e as mulheres não se fariam tão necessárias. Então, nessa época, as mulheres são essenciais para entrar nas prisões, enviar mensagens, por isso a escolha.”

Ainda sobre a escolha, Morelli comentou sobre abordar um assunto distante de sua vivência. “Eu tenho consciência dos meus privilégios, e justamente por isso eu sinto a necessidade de falar sobre essa parte injusta da sociedade, por isso eu quis falar sobre esse tema dentre todos os outros. Eu fiz questão e me cerquei de pessoas que têm o local de fala necessário pra produzir a série, para podermos falar com propriedade sobre o assunto.”

Sobre os flashbacks e locações da série, Andrea comenta como foi o processo de gravação de Irmandade: “A maioria da série se passa nos anos 90, mas temos alguns flashbacks dor irmãos nos anos 70, então precisávamos de uma comunidade que tivesse a estética desse período. Fizemos uma grande pesquisa, gravamos lá em Cubatão. Foram mais de 180 pessoas trabalhando em 40 locações. Nós também gravamos em um presídio, o que deu uma grandiosidade para série. Foi uma grande produção.”

Edson, personagem de Seu Jorge, é preso nos anos 70, e após 20 anos sua irmã reencontra novamente o personagem, agora líder da facção Irmandade. Seu Jorge falou sobre a importância da coletividade para interpretar Edson. “Não encontrei o personagem sozinho, foi um trabalho coletivo. É um personagem muito intenso, de muita angústia, então você tem que preservar a sua energia e atenção o tempo inteiro, pra não perder a linha de pensamento, o que tá sendo dito, o conflito. Foi intenso, mas valeu à pena.”

Sobre a dubiedade do personagem, o ator complementou. “Eu costumo comentar que o caminho do certo é um caminho sem volta. E eu acho que essa é a mensagem do Edson.”

O conceito de verdade, do certo e do errado, na série, é como uma corda bamba. No outro lado da história temos Cristina, irmã de Edson interpretada por Naruna Costa, que se depara, após anos, com o irmão que, até então, estava desaparecido. A personagem é intrigante por sempre fazer o expectador se projetar em seu lugar. “Ela tem uma postura do que acredita ser correto, algo que foi herdado do seu pai, uma pessoa extremamente rígida. Ela tem uma conduta onde ela faz o possível pra não se desviar disso, enquanto Edson aplicou essa conduta à realidade dele, ao sistema carcerário. Mas quando eles se encontram, essas concretudes acabam mudando. As realidades das outras pessoas que ela vai encontrando vão mostrando outras formas de ver o mundo, no qual as possibilidades de escolha podem mudar o destino justamente pela ambiguidade, em qual escolha se torna a melhor dentre as opções.”

Irmandade estreia dia 25 de outubro na Netflix.

Fotos por Helena Yoshioka, da O2 Filmes.

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