O Mundo Sombrio de Sabrina: Crítica da 2º temporada

A crítica a seguir contém spoilers!

Sabrina Spellman está mais sombria do que nunca. O Mundo Sombrio de Sabrina chega na Netflix, para sua segunda temporada e, como já dissemos aqui, a nova temporada está maravilhosa. O texto a seguir contém spoilers.

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A série segue após os eventos da 1º temporada e do especial de natal. Sabrina lida com as consequências de ter assinado o Livro da Besta, uma vez que agora ela serve ao Senhor das Trevas e ele a fez jurar lealdade a ele. Assim, para proteger seus amigos mortais, Sabrina começa a se aprofundar na bruxaria e passa a frequentar integralmente a Academia de Artes Ocultas.

Esse é parte do problema que a jovem bruxa deve lidar. Enquanto os primeiros episódios são mais focados em Sabrina e o descobrimento de seus novos poderes, a segunda metade tem algumas histórias de fundo. Aliás, esse é um problema recorrente nessa segunda parte da série. São muitas coisas acontecendo ao mesmo tempo que, muitas vezes, são deixadas de lado para resolver um problema maior.

Começando pelo Padre Blackwood. Ele tem um plano para a Igreja da Noite e os primeiros episódios focados nele pregando sua filosofia misógina e xenofóbica onde feiticeiros estão acima de todos e as bruxas são submissas às suas vontades. Sabrina tenta pregar a filosofia de seu pai que é o extremo oposto: bruxas e humanos podem e devem conviver em harmonia. Após a primeira metade, o foco desse plot se perde, focando em um problema maior: Sabrina descobre que é uma mensageira do inferno e liderará o apocalipse ao lado de Lucifer Estrela da Manhã.

Desse modo, a história das filosofias perde lugar para o plot do apocalipse eminente, e os primeiros episódios não são mais do que fillers para fazer a série passar. O único que ainda trás o assunto é o doentio Blackwood, em suas raras cenas.

Destaque para os amigos mortais de Sabrina. Apesar do afastamento da bruxa, eles continuaram tendo momentos importantes em cena. Pudemos ver Roz lidar com a maldição de sua família e encontrar conforto nos braços de Harvey, que também tem seu momento de destaque na série quando descobre sobre a profecia que envolve Sabrina. Susie, agora Theo, também tem seu momento. Na primeira metade, personagem lida com sua transição e na segunda, entra numa luta corpo a corpo com demônios.

No núcleo familiar de Sabrina, Tia Hilda e Tia Zelda (aka melhores personagens da série) finalmente mostram que são bruxas Spellmans e que não estão de brincadeira. Hilda consegue matar uma pessoa a transformar o momento em risadas. Zelda mostra que tem planos muito maiores para ela e sua família do que mostra. Ambrose passa por poucas e boas durante a nova temporada e parece que finalmente encontra um objetivo e uma vocação no final. Salem, bom.. ele ainda não fala, se é o que está perguntando. Alias, após Stolas, o familiar de Sra Wardwell falar suas primeiras palavras, não temos qualquer indicio ou sinal de que isso acontecera novamente. Mas Sabrina interage mais com o gato que responde com ronronados e miados.

Sra Wardwell é uma certa incógnita pra mim. Ela manipulou Sabrina para ela atender aos desejos do Senhor das Trevas, mas ao mesmo tempo, aos próprios desejos, tudo para se tornar a Rainha do Inferno. Mas seus planos de nada servem, uma vez que a profecia é descoberta, ela percebe que o Diabo a enganou e o trono que lhe foi prometido será de Sabrina. Mesmo quando ela achava que estava no controle da situação, na verdade, era apenas uma peça no jogo de Senhor das Trevas.

Este, aliás, tem um destaque ainda maior na série, ganhando uma história de origem e até um novo corpo. Parte da profecia dizia que Sabrina realizaria uma série de “milagres”, e isso acarretaria na volta de Lucifer Estrela da Manhã, em seu corpo original. Luke Cook conseguiu dar um ar atraente, sofisticado e diabolicamente charmoso à versão “carne e osso” do Diabo, mesmo que por apenas um episódio. No último episódio, é revelado que Edward Spellman não é o verdadeiro pai de Sabrina. Ele foi enganado pelo próprio diabo ao pedir que este lhe abençoasse com um filho. Em um paralelo com a história de Maria que deu a luz ao filho de Deus, Diana Spellman deu a luz à filha do Diabo, gerando Sabrina, um bebe de uma mortal, bruxo e sangue infernal, tornando assim, a Santíssima Trindade: uma concepção sacrílega para gerar sua própria prole unigênita e assim instigar o apocalipse. Diabólico, eu diria.

No mais, a nova temporada de Sabrina trás momentos muito mais sinistros que a primeira, e deixa a gente ainda muito mais curioso para o que vai acontecer a seguir.

A 2º parte de O Mundo Sombrio de Sabrina já está disponível na Netflix.

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