É o fim para The Get Down. A Netflix anunciou que cancelou sua ambiciosa série musical após uma temporada, que foi dividida em duas partes, lançadas em agosto de 2016 e no último dia 7 de abril.

A Variety reportou que cada episódio custou em torno de US$ 7,5 milhões, totalizando mais de US$ 120 milhões para uma temporada. A atração mostrou como uma Nova York à beira da falência propiciou o nascimento do hip-hop, do punk e da disco music no Bronx dos anos 70.

Baz Luhrmann, diretor, roteirista e mente criativa por trás do projeto da Sony com a Netflix, publicou uma longa carta aos “queridos fãs” de The Get Down. O realizador disse ter se dedicado integralmente à série musical ao longo de dois anos — tempo em que não pôde se dedicar a mais nada. Dito isso, ele admitiu: “A verdade é que eu faço filmes”. E se despediu parafraseando a canção de Mylene (Herizen F. Guardiola): “Nos vemos do lado de lá.”

Trevor Nelson, Grandmaster Flash e Baz Lurhmann.

Confira a tradução da carta de Baz Lurhmann, na íntegra:

Queridos fãs de The Get Down

Gostaria de me dirigir a vocês de coração aberto e apenas reconhecer quão agradecido e emocionado não só eu, como todos que deram tanto a essa produção, ficamos por sua paixão e comprometimento pelo próximo capítulo de The Get Down retomar a produção num futuro próximo. Quero explicar a vocês por que é improvável que isso aconteça…

Quando fui convidado para o centro de The Get Down para ajudar em sua realização, tive que recusar meu compromisso com a direção cinematográfica por pelo menos dois anos. Essa exclusividade se tornou, compreensivelmente, um obstáculo para a continuidade da série para Netflix e Sony, que foram tremendos parceiros e apoiadores. Me mata saber que eu não posso me dividir em dois e ficar disponível para ambas produções. Eu me sinto profundamente conectado a todos que trabalharam e colaboraram nessa experiência memorável.

Tudo foi desenvolvido visando ao futuro… Até um show num palco (você imagina? Eu imagino. E versão acústica, alguém? No próximo verão? Pensando alto…) Mas a verdade pura e simples é: eu faço filmes. E a questão quando você trabalha com cinema é: quando você é diretor, não pode haver mais nada em sua vida. Desde que The Get Down parou, eu tenho, na verdade, passado os últimos meses preparando o meu novo trabalho cinematográfico.

O elenco dessa série é único e excepcional. Além dos nossos atores veteranos estelares, eu não sou capaz de dizer quão privilegiado eu me senti por ter encontrado jovens tão talentosos — estando muitos deles estrelando filmes, criando música e seguindo caminhos incríveis em suas carreiras. Nosso elenco, roteiristas, colaboradores musicais, coreógrafos, equipes de câmera, direção e pós-produção, todos sentiram o profundo privilégio de ter sido abraçados pela região do Bronx e por grande parte da comunidade do Hip-Hop. Mas, mais especialmente, pelos pioneiros do Hip-Hop: Grandmaster Flash, Kool Herc, Afrika Bambaataa, Grandmaster Caz, Kurtis Blow, Raheim e todos os b-boys, b-girls, grafiteiros, MC’s e DJ’s que tornaram essa história possível. Assim como todos que mantêm a chama acesa e são luminares, como Nas. Vivemos coisas juntos de que nunca me esquecerei. Todos nós da família The Get Down fomos tocados por essa preciosa missão de contar a pré-história de uma forma de cultura que transformaria não apenas a cidade, mas o mundo.

Sobre o verdadeiro futuro da série, o espírito de The Get Down, e a história que começou a ser contada… ela tem sua vida própria. Que vive hoje e continuará sendo contada em algum lugar, de algum modo, por causa de vocês, fãs e apoiadores.

Agradecido e honrado, e pra citar a linda balada de Mylene: “I’ll see you on the otherside…”

Saudações,

Baz

via Adoro Cinema / jovemnerd

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