2017 marca a despedida de Hugh Jackman como Wolverine, personagem que interpreta há 17 anos, com Logan, terceiro filme solo do mutante. É difícil dar adeus a um rosto que se tornou tão familiar ao longo dos anos. E pensar que Jackman só ganhou o papel por uma obra caprichosa do destino. O ator escocês Dougray Scott, o vilão de Missão Impossível 2, estava inicialmente escalado, porém um atraso nas filmagens obrigou o ator a desistir da oportunidade. O papel caiu então nas mãos de Hugh Jackman, um ator formado em teatro musical e conhecido na Broadway.

Os fãs imediatamente o repudiaram e protestaram, alegando que o ator era muito alto e bonito para o papel, visto que o Wolverine das histórias em quadrinhos tinha 1,60m de altura e a aparência de um demônio da tasmânia humanizado, enquanto Hugh, no alto dos seus 1,90m, era um sonho de consumo entre as mulheres.

   No entanto, quando o primeiro X-Men foi lançado na virada do milênio, não restaram dúvidas de que Jackman abraçou o personagem e o incorporou brilhantemente, calando a boca de todos os haters. Foi um dos raros casos em que um personagem se adaptou ao intérprete, e não o contrário.

Hugh Jackman no primeiro X-Men, em 2000.

Hugh Jackman inaugurou a era de ouro dos super-heróis no cinema, e passou por todas as suas fases, tanto em filmes que utilizavam os infames uniformes de couro, quanto em filmes mais bem-humorados e despretensiosos, até chegar em projetos mais sombrios e voltados ao público adulto, que também pudemos observar na trilogia Cavaleiro das Trevas de Christopher Nolan e em Deadpool, por exemplo. O australiano foi o rosto que se manteve firme por quase duas décadas, enquanto acompanhávamos um vai-e-vem de atores assumindo e abandonando papeis, e outros trocando de equipe e uniforme (alô Ryan Reynolds!).

   Hugh Jackman intercalou sua vida como Wolverine com outros papéis de destaque, jamais se tornando obsoleto ou ficando estigmatizado como ator de um filme só. Ao invés disso, trabalhou com grandes diretores e fez filmes de sucesso de público e crítica, tendo sido indicado ao Oscar e se firmado como um dos artistas principais de Hollywood.


Hugh Jackman em Os Miseráveis, pelo qual foi indicado ao Oscar de melhor ator.

Decepcionado com as últimas aparições do mutante fora da equipe, X-Men Origens: Wolverine (não vamos falar sobre isso) e Wolverine: Imortal (que quase chegou lá), Logan encerra com dignidade a jornada desse homem que carregou nas costas durante tanto tempo o legado de um super-herói em quem confiávamos, e dá o que os fãs e o próprio ator sempre pediram: um filme tocante e violento, que demonstra a brutalidade e as nuances dramáticas do personagem; que suja suas garras de sangue. O ator teve participação ativa no roteiro, assim como terá na escolha de seu substituto (em um futuro ainda distante). Sua saída deixa um pouco de receio quanto ao que vem pela frente, mas uma satisfação ao vê-lo parar em seu ápice.


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Hugh Jackman teve seus altos e baixos como Wolverine, é verdade, mas sempre estará marcado em inúmeros corações como um de nossos super (anti) heróis favoritos. Ele não deu ao público o Wolverine que queriam, mas o Wolverine que precisavam. E nós adoramos.

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