― Daqui parecem formiguinhas, não é? ― James perguntou, percebendo meu olhar perdido pelas janelas do palácio.

Ele estava se referindo aos turistas que se aglomeravam na praça em frente, ocupados com fotos e olhares cumpridos para dentro do palácio. A monarquia continuava sendo um dos maiores atrativos da Inglaterra e um dos motivos que fazia as pessoas visitarem o país. Se de fora parecia incrível, de dentro era o maior porre.

Era por isso que normalmente eu vinha parar nas janelas, entretida ao observar a vida normal –  a vida real – do lado de fora. Quem seriam aquelas pessoas? E suas origens? O que será que faziam da vida? Será que tinham tanta dificuldade para escolher uma carreira na faculdade como eu tinha? Como seriam suas rotinas? Dúvidas, dúvidas, dúvidas…

― Olá ― eu respondi, dando um sorriso educado e um passo para trás. ― Veio cumprimentar suas fãs?

James deu um sorriso atravessado, olhando pela janela por só um segundo. Ele vivia aparecendo nos tabloides locais como um dos solteiros mais cobiçados do Reino Unido, especialmente depois que Alex Rodder assumiu publicamente seu relacionamento com uma fã. Ou quase-fã. Ah, sei lá. Pelo jeito namorar um filho de visconde também era um negoção para as adolescentes britânicas.

― Ah ― James tossiu. ― Não. Vim em busca da senhorita ― ele sorriu novamente. ― Seu pai está te procurando.

― É claro que está ― eu assenti, virando-me para ir ao encontro dele.

Meu pai não gostava de me perder de vista nunca. A situação era especialmente pior desde o falecimento da minha mãe, quando começamos a andar sempre acompanhados por seguranças – como se fossemos o próprio Alex Rodder. Dava vontade de morrer, sinceramente.

Os primeiros dias foram péssimos, mas com o passar dos meses fui arrumando maneiras de burlar o sistema e sua vigilância ferrenha. Eu entendia seus medos, mas não conseguia viver em clausura. Eu precisava ver o mundo, conviver com as pessoas e sorrir de verdade – sem xícaras ruins de chá envolvidas.

Então normalmente eu esperava ele ir para seu quarto ou partir para algum evento de gala importante  de duque e simplesmente caía fora. Raramente era vista por algum segurança, a quem precisava comprar o silêncio com um café do starbucks, local de muitas escapadas. Alguns outros eu tive que pedir para James dar uma intimidada. Ele sabia de minhas fugas, mas não me acompanhava. Pelo menos não me dedurava também. Algumas vezes ficava me questionando se os tabloides poderiam ter razão… Será que ele gostava de mim? Eu nem sequer tinha certeza que queria saber a resposta.

Quando finalmente consegui me livrar dos sermões do meu pai sobre ter sumido no meio do chá e sobre como isso era indelicado, já era noite. Ele estava invocado comigo, então foi se trancar no quarto mais cedo do que de costume. Eu ainda contei uns 30 minutos, antes de enfiar minha roupa de corrida e me esgueirar para fora de casa. Essa era uma das vantagens de ter um casa grande e tão perto do Hyde Park. Poucos minutos depois,  eu já estava livre. Correndo pela noite quente do verão londrino, sentindo meus cabelos balançarem e minha alma tranquila.

Fui correndo meu circuito de sempre, dando sorrisos esporádicos para pessoas que sempre acabava encontrando nessas marchas noturnas. Perdida na música que saía dos meus fones, só percebi que estava em perigo quando era tarde demais.

 


 

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